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16/06/2009


O papel do tipo preferido de bebida sobre a gravidade da dependência alcoólica e aderência ao tratamento

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 O papel do tipo preferido de bebida sobre a gravidade da dependência alcoólica e aderência ao tratamento
No mundo, o uso de álcool é uma das principais causas de morbidade e mortalidade. No que se refere aos pacientes alcoolistas, a baixa aderência ao tratamento pode representar uma diminuição de sua qualidade de vida e uma perda de anos de vida. Ainda quanto ao tratamento, atualmente, não há um consenso se o tipo preferido de bebidas alcoólicas pudesse afetar seu sucesso ou interferir sobre a fissura de álcool. Pensando nisso, o presente estudo teve o propósito de determinar se os diferentes tipos de bebida consumidos por dependentes de álcool estavam associados a diferentes resultados terapêuticos, assim como à maior gravidade de dependência e fissura no início do tratamento.
 
Cento e cinqüenta e sete homens, de faixa etária entre 18-60 anos e dependentes de álcool foram divididos em 2 grupos (bebedores preferentemente de cerveja ou de destilados) e acompanhados por um período de 12 semanas. Durante esse período, os participantes foram avaliados quanto à fissura, presença de sintomas depressivos, tempo para a primeira recaída, número acumulado de semanas de abstinência e adesão ao tratamento medicamentoso proposto na ocasião.
 
Conforme os autores, os grupos de bebedores (cerveja vs destilados) não diferiram quanto aos dados sócio-demográficos; medicações prescritas; período da vida em que começaram a surgir problemas relacionados ao uso de álcool; uso médio e diário de cigarros e, finalmente, gramas de etanol consumidos diariamente. Porém, os bebedores de destilados apresentaram maior gravidade de dependência e fissura no início do estudo, histórico de tratamento para alcoolismo mais freqüente e menor condição sócio-econômica. Não houve diferenças quanto ao período de tempo necessário para o acontecimento da primeira recaída ou número acumulado de semanas de abstinência, porém, os bebedores que preferiam cerveja aderiam significativamente mais ao tratamento que os bebedores de destilados, independentemente da forma de tratamento adotada.
 
Assim, conforme os autores, entre os bebedores de destilados, como o grau de gravidade de dependência é maior e menor é a adesão ao tratamento, maior deve ser o esforço dos profissionais de saúde ao tratá-los. O histórico extenso que apresentam com falhas terapêuticas pode ser uma causa para essa falta de adesão, desencorajando-os de aderir a uma nova proposta de tratamento, de tal forma que os profissionais médicos devem sentir-se estimulados a lidar com essas distorções cognitivas a fim de melhorar os resultados terapêuticos.
 
Título: The role of alcoholic beverage preference in the severity of alcohol dependence and adherence to the treatment
 
Autores: Danilo Antonio Baltieri, Fabio R. Daro, Philip L. Ribeiro, Arthur G. De Andrade
 
Fonte: Alcohol, 1-11, 2009
Matéria extraída do site www.cisa.org.br

Escrito por Ataíde Lemos às 19h05
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Entrevista com Arthur L. Klatsky

 

Entrevista com Arthur L. Klatsky

1. O que significa dizer que a relação do uso de álcool com a mortalidade geral é representada por uma curva em formato de J ou de U?
 
O formato da curva faz referência à linha horizontal do gráfico que ilustra a relação entre a taxa de mortalidade geral de acordo com o consumo de álcool. É usual a representação do consumo de álcool no eixo horizontal desse gráfico (eixo das abscissas) com a abstinência posicionada à esquerda e o uso pesado de álcool à direita. Já a mortalidade é representada no eixo vertical (eixo das ordenadas), observando-se o aumento da taxa de mortalidade acima da origem e a redução da taxa de mortalidade abaixo da mesma.
 
Os abstêmios são a referência na origem (zero), à esquerda. Se para o consumo moderado de álcool a taxa de mortalidade é reduzida e para o uso pesado a taxa de mortalidade é a mesma que a de abstêmios, então teremos o gráfico representado por uma curva em U. Na verdade, a mortalidade geral devido ao uso de álcool é representada por uma curva em formato de J, porque a taxa de mortalidade aumenta com o uso pesado, mas é menor para bebedores leves em comparação com abstêmios.
 
2. Quais os fatores subjacentes à redução da mortalidade observada entre os bebedores leves/moderados?
 
O risco diminuído de mortalidade entre os bebedores leves/moderados é devido, principalmente, a uma redução da incidência de doenças coronarianas, o tipo mais comum de doença cardíaca e a causa do infarto agudo do miocárdio, comumente conhecido como “ataque do coração”. Menores contribuições ocorrem também devido a um menor risco da incidência de derrame isquêmico (ocasionado pelo bloqueio de veias sanguíneas), diabetes mellitus e outras condições.
 
3. Algum fator relacionado ao gênero, à idade ou alguma outra variável de confusão pode interferir nessa curva em J ou U?
 
O formato da curva é geralmente similar entre homens e mulheres, apesar das mulheres serem mais susceptíveis aos efeitos do álcool (bons e ruins) para níveis menores de consumo. As curvas específicas para idade são bastante diferentes, pois os benefícios do consumo leve não são tão evidentes entre homens com menos de 40 anos e mulheres com menos de 50. Ainda, os jovens estão mais sujeitos ao uso pesado episódico de álcool (padrão binge), que está relacionado ao acontecimento de mortes acidentais, mesmo se a média total de consumo não seja alta. Dessa maneira, a curva da taxa de mortalidade relacionada ao uso de álcool, entre jovens, é linear e não no formato de U ou J.
 
4. Finalmente, a associação entre o consumo de álcool e a mortalidade geral é influenciada pelo tipo de bebida consumida?
 
Não há consenso quanto a isso. Alguns dados sugerem que os bebedores de vinho tenham maiores benefícios, mas os estudos são contraditórios. Em minha opinião, o fator mais importante é o álcool etílico e seu padrão de consumo. Pequenas quantidades de álcool ingeridas durante as refeições é o hábito que tem sido apontado como o mais benéfico para a saúde. Este padrão de uso é mais frequentemente encontrado entre os bebedores de vinho que entre os de cerveja ou destilados. Em vários países, os bebedores de vinho também apresentam uma maior probabilidade de, em geral, assumirem hábitos mais saudáveis de vida. Em conclusão, a relação entre a preferência pelo tipo de bebida e a saúde do bebedor é complexa.
Fonte: do site www.cisa.org.br

Escrito por Ataíde Lemos às 17h07
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